Tharandt – O berço da Engenharia florestal

Continuando nossa viagem pelo Leste da Alemanha, saímos cedinho de Dresden com em direçao às montanhas do Erzgebirge, pelo caminho aproveitamos para parar na cidadezinha de Tharandt a cerca de 20 km de Dresden.

Estive em Tharandt a primeira vez em 2005 quando participei do curso de Inverno do DAAD em Leipzig, planejei a nossa rota de forma a passar por esta cidadezinha com cerca de 2.600 habitantes, que além de ser um popular ponto de partida para passeios pela floresta de Tharandt, pitorescamente situada numa região com três vales estreitos incluindo o Vale do Weisseritz; É onde podemos dizer que a Engenharia Florestal começou.

Tharandt Rio

Os primeiros registros sobre esta cidadezinha remontam ao ano de 1457, em 1609 foi editado o primeiro estatuto da cidade. Mas até o início do século XVIII era pouco conhecida, mas começou a ficar importante quando se descobriram a existência de jazidas de pedras semi-preciosas na região. E Posteriormente pela Academia Real de Florestas da Saxonia.

Tharandt Florestal

Em 1473 o eminente construtor Arnold Von Westfalen construiu um castelo, que foi parcialmente destruído em 1580. Sua pitoresca ruína continua visível até hoje no alto de um morro, uma espécie de acrópole, do Vale Weißeritz.

É neste vale que hoje se encontram os prédios do Instituto de Ciências Florestais da Universidade Técnica de Dresden, considerada a primeira instituição de Ensino Florestal na Alemanha e também no mundo.

Nos arredores de Tharandt está localizada a Floresta de Tharandt, talvez uma das florestas manejadas a mais tempo pelo homem não apenas pelo pensamento empírico e sim com base científica.

Importante também, pelo menos para mim, é o jardim botânico, fundado em 1811, com cerca de 2.000 espécies de plantas lenhosas e espécies arbustivas, bem como numerosos tipos de gramíneas e plantas do subbosque.

Jardim botânico este que pertenceu ao “pai” da ciência florestal, o alemão Johann Heinrich Cotta (1763-1844), que em 1816 fundou a Academia Florestal Real da Saxonia, considerada hoje a primeira faculdade da silvicultura do mundo.

Entre 1847 a 1849, foi construído o prédio que até hoje é o edifício principal do Instituto Florestal de Tharandt que hoje faz parte da Universidade Técnica de Dresden. Digamos que é uma experiência e tanto, é como estar visitando um local sagrado, e ver o lugar onde tudo começou.

Infelizmente a região foi seriamente afetada pela grande enchente de 2002, que não apenas destruiu alguns edifícios e laboratórios da faculdade como também deixou sua biblioteca debaixo dagua.

Quando estive lá pela primeira vez em 2005 o Judeichbau, o novo prédio do curso de Engenharia Florestal tinha acabado de ser inaugurado, aproveitei aquela visita na época para conversar com alguns professores e também com a secretária da coordenação que mostrou que a agua chegou a cerca de 50cm no primeiro andar do prédio onde ela trabalhava.

Como parte dos esforços para salvar a Biblioteca o Exército Alemão enviou um caminhão frigorífico e todos os livros importantes foram congelados, para retirar a água e secos um a um página por página, esta enchente aconteceu durante as férias escolares, e ela disse que vários estudantes, assim que as águas baixaram, voltaram para Tharandt para ajudar no restauro de livros e outros objetos. Trabalho este que durou mais de um ano para ser finalizado.

Entramos rapidamente nos prédios da Floresta, mas como estava cedo não havia quase ninguém por ali como ainda tínhamos muita estrada pela frente seguimos viagem, passando por dentro da Floresta de Tharandt a caminho do Erzgebirge, as Cores das árvores nesta época do ano é um verdadeiro espetáculo.

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Oscar Augusto Risch

1 comentário

  1. avatar
    Posted by Sabino Pires Carvalho| 06/06/2025 |Reply

    Ao ler este artigo e ao ver as imgens contidas nele, viagei virtualmente para o espaço e para as convivências que mais marcaram a minha vida. Infelizmente desde o ano 1994 que deixei este espaço inesquecivel da minha vida, nunca mais a sorte me ajudou a reviver aquele espaço, o que gostaria imenso que acontecesse, por razões de saudar os meus antigos professores, aqueles que ainda estejam em vida, recuperar um exemplar da minha monografia do fim do curso, porquanto o exemplar que trouxe: a versão digital gravada numa disquet o excesso de humidade estragou e a versão em formato papel desapreceu algures por aí.

    Esta monografia foi redigida sobre uma tematica que veio a ribalta ultimamente em São Tomé e Principe, e pelo capricho do destino estou a trabalhar nela, por isso está me fazer falta. Trata-se do Sistema Agroflorestal de Plantações de Cacau, e eu escrevi sobre a Avaliação das Diferenças no Sistema de Sombreamento de Plantações de Cacau em São Tomé. E por sinal estou a trabalhar num projecto que tem como designio a certificação, no mercado internacional, do carbono sequestrado nas agroflorestas das plantações seculares de cacaau em São Tomé, projectando a reversão dos ingressos produzidos desta certificação, aos agrosilvicultores titulares dos lotes destas terras agrosilvicolas.

    Ao fim ao cabo, tudo isto é para testemunhar que sou um antigo estudante da engenharia florestal nesta instituição acadêmicca que é patriarca das ciências florestais na Europa e no Mundo. O que mais pode encher uma pessoa de orgulho do que ter um diploma dum instituto tão nobre e de reconhecimento internacional. E também no meu País São Tomé e Principe, dignifiquei este isntituto fundando um Jardim Botânico, ajudando a criar a Direcção das Florestas, criando as bases para estabelecimento do Parque Natural Obô de São Tomé(primeira Area Protegida de São Tomé e Principe), na qual desenvolvi, participando em diversas missões , as primeiras actividades de pesquisa sobre a Biodiversidade de Lenhosos, e etc.

    Gostaria, por diversos motivos, restabelecer o meu contacto com este Instituto, reviver estes 5,5 anos que passei nele, dar se calhar continuidade a tematica sobre a qual escrevi a minha monografia; porque até estou ne eminência, com apoio duma organização, fazer uma investigação para doutoramento na mesma tematica.

    Glória eterna ao Instituto das Florestas de Tharandt da Universidade Técnica de Dresden; e aos seus gloriosos Professores – cientistas.

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